quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dificuldades de Aprendizagem na Alfabetização

GOMES, Maria de Fátima Cardoso; SENA, Maria das Graças de Castro. Dificuldades de Aprendizagem: na alfabetização. Belo Horizonte; Autêntica; 2006.

Resenhado pela acadêmica Carmosa Martins da Mata e Silva; Pós-Graduação em Psicopedagogia da Faculdade Integradas de Jacarepaguá – FIJ.

A obra trata do mal do século XX o que permanece no século XXI; o “fracasso escolar” de meninos e meninas das camadas populares.

Segundo as autoras organizadoras da obra, Sena, (2006), Gomes (2006), o Fracasso foi historicamente produzido e criado por médicos e psicólogos e que vem sendo tratado de forma patológica, naturalista e a-histórica pela maioria das escolas. Estas buscam legitimar a exclusão de alguns alunos com o conhecimento cientifico da medicina e da psicologia, principalmente.
Os artigos que fazem parte deste livro foram elaborados com base numa pesquisa cientifica do programa de iniciação científica da UFMG, em dissertação de mestrado e uma tese de doutorado defendidas no período de 1990 a 1996, pela faculdade de educação da universidade federal de minas gerais e no instituto de psicologia da Universidade de S ao Paulo; respectivamente.
O primeiro artigo discutido na obra trata-se da produção “leitura e escrita: a produção dos “maus” e “bons” alunos. Cujo material foi colhido durante o ano de 1993. onde retrata que os educadores adotam mecanismos varia dos para separar os “bons” dos “mãos” alunos, desde critério de avaliação que norteiam os processos de enturmação, o remanejamento, a fixação de normas disciplinares e higiênicas até o encaminhamento dos “maus” alunos para clínicas ou escolas especializadas.
Acabam depositando no aluno toda a “culpa” pela não-aprendizagem da leitura e da escrita sem que o processo escolar e social em que estas são produzidas seja levado em conta pelos educadores, sobretudo das escolas publicas.
O artigo seguinte refere-se a quatro historia e dois destinos; dos “bons” e dos “maus”, consiste na constituição do sentido do “bom” e do “mau” aluno, que se realizaria, nos primeiros dias de aula, durante a interação verbal entre alunos e a professora em uma sala de aula, onde teria sentidos e significações, produzidos no jogo social mais amplo, e se confrontaria à luz dos interesses pessoais de seus interlocutores.
No capitulo seguinte refere-se a apropriação da cultura escolar implícita nas ações pedagógicas do professor expressava-se através de uma postura na sala de aula coerente com a lógica autoritária / assistencialista da burocracia do sistema de educação pública brasileiro.

Na pesquisa foi realizada atividades extra-classe promovidas pela escola, aos alunos, onde evidenciaram melhor rendimento de que foram observados em situações de sala de aula.
Outro artigo da obra “dificuldade de aprendizagem na alfabetização: Perspectivas do aprendiz, da autora Clenice Griffo; faz um estudo de observação em sala de aula, priorizando as interações estabelecidas, buscando entender como o aluno fracassado se percebia na condição de ausência de produtividade escolar e como reagi frente aos rótulos que lhes eram atribuídos.
Na obra foi discutido também o artigo: saberes e dizeres diferentes de crianças que “Fracassam” na escola, procura entender os vários momentos e movimentos de uma aluno pesquisado em 1996, com várias reprovações, onde relata toda a historia do contexto familiar da professora e do próprio aluno; analisando seus conflitos e complexidade, podendo seu referencia entre os alunos e escreveu influencia sobre o conteúdo escolar, como um exemplo de fracasso.
No artigo para além do erro construtivo o sujeito relata o trabalho com as crianças com dificuldades pelas escolas que consistia na tentativa de levá-los a superar seus erros pela via da reconstrução dos mesmos. Utilizando do referencial piagetiano que não tratava, pois, de simplesmente corrigi-los, mas, principalmente, de possibilitar que as crianças repensassem suas hipóteses sobre um objeto de conhecimento pela introdução de uma situação conflitava, mo nível cognitivo, que desestruturasse o pensamento e as forçasse a busca novo equilíbrio uma nova hipótese. O outro enfoque para compreender o erro, foi focado na teoria psicanalista, enfocando dados subjetivos do recalque, visto que o recalcamento “só pode surgir quando tiver ocorrido uma cisão marcante entre a atividade mental consciente e o inconsciente”.
O artigo seguinte de o significado da escola: memória de adultos que viveram a infância na zona rural, onde aborda uma estrutura socioeconômica em que as crianças trabalham em que as crianças trabalham pesado no campo a maior parte do seu dia, a escola era muito valorizada, entretanto, a expectativa desse grupo com seu processo de escolarização e o de seus filhos tem lhe mostrado uma realidade muito cruel. Assim, a sua expectativa em relação ao futuro dos filhos é impregnada de incertezas e de apreensões, considerando-se que a vivência do presente só lhes tem oferecido elementos negativos e preocupantes em relação ao amanhã.
O artigo fracasso e sucesso escolar: os dois lados da moeda, justifica o fracasso escolar em diversas abordagens.
A escola justifica a cultura do fracasso em diferente perspectiva, uma delas baseia-se na prontidão, enquanto que a teoria da coerência cultural responsabiliza a criança pobre e sua família pelo insucesso na alfabetização; e não questiona o papel da escola na produção do fracasso.
O ultimo artigo proposto pela obra discute a relação entre e analfabetismo dos pais e o fracasso dos filhos na escola; comprova que a interferência do trabalho na escolarização: a historia tanto das pois analfabetos quanto de seus filhos demonstram que as crianças das camadas desprivilegiadas são mais do que estudantes; elas trabalham.
Nesta perspectiva é que a analise da vida e da lida dos analfabetos ou com dificuldades de aprendizagem estar à margem a sociedade brasileira, e evidenciam que a obra contribui para um despertar da sociedade de que o analfabetismo e o fracasso escolar ultrapassam os limites da ação educativa devem ser vista como quadro de suas determinações sociais, econômicas, políticas e ideológicas.

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